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Três filmes realizados por mulheres que vamos querer ver em 2018

Apesar das discussões levantadas por movimentos como o #MeToo e Time’s Up, os números mostram que ainda se está (muito) longe do equilíbrio de géneros na indústria cinematográfica.

Os números não deixam margem para dúvida. No top dos 1100 filmes lançados em Hollywood, entre 2007 e 2017, apenas 4,3% foram realizados por mulheres. O que representa um rácio de 22 homens para cada mulher no cargo. São números do relatório “Inclusion in the Director’s Chair?” publicado pela USC Annenberg Inclusion Initiative, um grupo de reflexão que estuda os problemas de diversidade e inclusão na indústria de entretenimento. O panorama melhorou marginalmente em 2017, com a percentagem de mulheres na função de realização a situar-se nos 7,3%, comparando com os 4,2% de 2016.

Realidade na Europa

Na Europa, a realidade parece ser diferente, com as realizadoras do sexo feminino a totalizarem 25%, segundo dados de um estudo, referente ao período entre 2014 e 2016, publicado pela Eurimages. Uma percentagem ainda assim afastada da equidade.

2018 será diferente?

Apesar de a questão da paridade de géneros e inclusão ser cada vez mais relevante nas discussões sociais, não se perspetiva um crescimento substancial para 2018. Em janeiro, a IndieWire revelou uma lista com os filmes, realizados por mulheres, agendados para lançamento nos próximos dois anos em Hollywood. 15. Apenas 15. Claro que deixa a nota de que há uma série de filmes programados que ainda não foram anunciados e que podem contar com mulheres na cadeira.

Estes são alguns dos filmes realizados por mulheres, anunciados para 2018, que não vai querer perder.

Uma Viagem no Tempo, Ava DuVernay

A primeira mulher negra a realizar um filme com um budget de 100 milhões de dólares. Ava DuVernay está literalmente a fazer história. Baseado no clássico infantil de 1963, de Madeleine L’Engle, A Wrinkle in Time (Uma Viagem no Tempo, em português), é o filme da Walt Disney Pictures que segue Meg Murry (Storm Reid) e Charles (Deric McCabe) numa corrida multidimensional contra o tempo para salvar a família e o mundo. No caminho, encontram três seres celestiais: Sra. Which (Oprah Winfrey), Mrs. Whatsit (Reese Witherspoon) e Mrs. Who (Mindy Kaling). Um elenco repleto de mulheres fortes, ao qual se juntam Zach Galifianakis e Chris Pine.

Estreia marcada para 9 de março


The Darkest Minds, Jennifer Yuh Nelson

Jennifer Yuh Nelson foi a primeira mulher a realizar um filme animado para um grande estúdio (Kung Fu Panda 2). Agora, a sul-coreana embarca no seu primeiro projeto live-action, uma adaptação do conto homónimo para jovens adultos de Alexandra Bracken. The Darkest Minds é um filme sci-fi que se centra nas crónicas da vida de Ruby (Amandla Stenberg), uma adolescente que vive num mundo distópico, onde a maioria das crianças morreu de doença. Os sobreviventes desenvolveram poderes sobrenaturais que o governo não consegue controlar. Depois de interpretar Rue em The Hunger Games, espera-se ver Stenberg – “uma das mais incendiárias vozes da sua geração”, segundo a revista Dazed – arrebatar outro hit no género.

Estreia a 14 de setembro nos EUA


Mary, Queen of Scots, Josie Rourke

Saoirse Ronan interpreta Mary Stuart, a carismática mulher que se tornou rainha de França com apenas 16 anos e que regressa à Escócia para reclamar o trono ocupado pela prima Elizabeth I (Margot Robbie), rainha de Inglaterra. Duas regentes do sexo feminino num mundo dominado por homens. Um drama histórico realizado pela ainda diretora artística do teatro londrino Donmar Warehouse, Josie Rourke – a primeira mulher a assumir tal posição. As razões para o ver? Talvez o facto de contar para o elenco com Ronan e Robbie, duas das nomeadas dos Óscares 2018, em Lady Bird e Eu, Tonya, respetivamente. Ou o facto de ter como argumentista Beau Willimon, criador da série House of Cards. Ah, sem esquecer as perucas!

Estreia a 2 de novembro nos EUA

Nos cinemas portugueses encontra Lady Bird e Mudbound, dois filmes também realizados por mulheres. Estrearam em 2017 nos Estados Unidos da América, mas só no início deste ano chegaram a Portugal.