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Rihanna. A nova geração de beleza

Não restam dúvidas: 2017 na cosmética foi um ano de libertação. A cantora dos Barbados em muito contribuiu para este caminho traçado, mais inclusivo e representativo.

A indústria da maquilhagem, cabelo e cuidados da pele tem historicamente excluído demasiadas mulheres, mas graças a um aumento do número de marcas inclusivas, o panorama começa finalmente a mudar. Para melhor. E esse é um futuro que nos agrada.

Um futuro cujas pedras foram lançadas por Rihanna, a cantora dos Barbados. Também influencer, designer, atriz e guru da maquilhagem. Rihanna celebrou 30 anos recentemente. Para trás ficaram os 29 e um 2017 que dominou por completo. Não lançou um álbum nem fez uma tour. Mas manteve-se sob o olhar público. Quase sempre com resultados positivos. Não só na música, mas também noutras áreas às quais se dedicou.

Rihanna na MET Gala 2017 sob o tema: Rei Kawakubo/Comme des Garcons: Art Of The In-Between. (Photo by Noam Galai/FilmMagic)
Rihanna na MET Gala 2017 sob o tema: Rei Kawakubo/Comme des Garcons: Art Of The In-Between. (Photo by Noam Galai/FilmMagic)

Arriscou e saiu da zona de conforto. Continuou o hábito de fazer headlines com as publicações nas redes sociais. Quebrou recordes da Billboard. Foi nomeada Humanitária do Ano pela Fundação Harvard. Questionou diretamente líderes mundiais sobre a educação. Foi capa de várias revistas, da Dazed à Vogue Arabia. Enfeitiçou red carpets, em especial o da MET Gala. Foi considerada pela crítica “a única coisa boa do filme Valerian” e recebeu aplausos pela performance na série Bates Motel, em que representou Marion, um papel popularizado por Janet Leigh no filme Psycho, de Alfred Hitchcock.

Mas mais impactante, revolucionou o mercado da beleza. Rihanna lançou Fenty Beauty em setembro do ano passado e um mês depois já a marca valia 72 milhões de dólares. Destronou gigantes como Benefit, Urban Decay, NYX. Ultrapassou as linhas de maquilhagem das irmãs Kardashian, Kylie Cosmetics e KKW Beauty.

Vou quebrar barreiras nesta indústria

Rihanna, sobre a criação de um império na beleza


Recolheu reviews positivas desde que foi lançada, também pela qualidade-preço, mas mais pelo destaque dado à inclusão e diversidade. “A nova geração de beleza” foi apresentada em campanha, com a participação de modelos de raças, formatos e tamanhos diferentes – com destaque para Halima Aden, modelo que apareceu em hijab. O que fez com que a linha inicial de 40 tons da Pro Filt’r Matte Longwear Foundation se pronunciasse ainda mais. Sim, leu bem. 40 tons. Para que qualquer mulher ou homem encontre a base que assenta melhor, independentemente do tom de pele. A verdadeira razão pela qual Rihanna decidiu criar a Fenty Beauty.

É importante que todas as mulheres se sintam incluídas nesta marca. Somos todos tão diferentes, com um tom de pele único

Rihanna, em entrevista

“Não ando por aí a fazer castings para transexuais”

Foi esta a resposta (inesperada) de Rihanna a um pedido de um fã para incluir mais transexuais nas campanhas da Fenty Beauty. E assim deixou em aberto a crítica para as marcas que exploram os transexuais e usam a inclusão como uma “ferramenta de marketing”.

Já tive o prazer de trabalhar com muitas mulheres transexuais talentosas ao longo dos anos, mas não ando por aí a fazer castings para transexuais. Tal como não faço castings para mulheres que não o são. Respeito todas as mulheres, e quer sejam transexuais ou não, não é da minha conta! É pessoal e algumas mulheres transexuais estão mais confortáveis para o serem abertamente do que outras, por isso tenho de respeitar isso como mulher que sou! Não penso que seja justo que uma mulher transexual, ou homem, seja usada como uma ferramenta de marketing conveniente! Com frequência vejo marcas a fazerem isso com transexuais e o mesmo com mulheres de raça negra! Há sempre aquele único espaço na campanha para o token de rapariga/rapaz ‘completamente diferentes’! É triste!

Rihanna, twitter

Game changer na cultura da maquilhagem

A Fenty Beauty teve uma influência extraordinária sobre a cultura popular, com o (re)lançamento da (ainda necessária) luta das pessoas com tons mais profundos que procuram maquilhagem que complementa o tom de pele. Uma questão que não é apenas emocional, mas também a afirmação real de que as mulheres de cor também merecem opções complexas. Uma afirmação da democracia na beleza.

Mas se pensa que a diversidade da marca está apenas adjudicada aos tons mais escuros, engana-se. A reeducação no mundo da beleza passa também por condições de pele como o albinismo, a prova de que a Fenty Beauty é uma marca verdadeiramente inclusiva.

Dos tons mais claros aos tons de pele mais escuros, com propostas para diferentes undertones, aqueles com dificuldade em encontrar uma base no tom certo deixaram de a ter.

  • Rihanna na festa de lançamento da Fenty Beauty pela Sephora Paris, França. (Photo by Dominique Charriau/Getty Images for Fenty Beauty)
    Rihanna na festa de lançamento da Fenty Beauty pela Sephora Paris, França. (Photo by Dominique Charriau/Getty Images for Fenty Beauty)
  • Rihanna na festa de lançamento da Fenty Beauty pela Sephora Paris, França.  (Photo by Dominique Charriau/Getty Images for Fenty Beauty)
    Rihanna na festa de lançamento da Fenty Beauty pela Sephora Paris, França. (Photo by Dominique Charriau/Getty Images for Fenty Beauty)
  • Linha inicial de 40 tons da Pro Filt’r Matte Longwear Foundation.
 (Photo by Stuart C. Wilson/Getty Images  for Fenty and Harvey Nichols)
    Linha inicial de 40 tons da Pro Filt’r Matte Longwear Foundation. (Photo by Stuart C. Wilson/Getty Images for Fenty and Harvey Nichols)

Lançamento revolucionário

Já tinha ganho três prémios de inovação – melhor base, melhor campanha de beleza e inovadora do ano (para Rihanna) – quando a Fenty Beauty foi considerada uma das melhores invenções de 2017 pela revista Time. Não só foi um dos lançamentos com mais sucesso de todos os tempos no mundo da beleza, como marcou uma posição essencial: inclusão é a chave.

A linha não se destaca apenas pela base de maquilhagem, mas também pelos iluminadores que deixam qualquer maquilhagem on point e pelo gloss “universal”

É Rihanna e 2017 foi o ano dela

Tornou-se a primeira artista a ver cinco diferentes canções atingir o topo do chart Dance Club Songs da Billboard no mesmo ano: Love on the Brain, Sex With Me, Pose e Desperado – quatro músicas do álbum Anti –, mais a colaboração com DJ Khaled, Wild Thoughts. No início de 2017 já se tinha juntado a Madonna e The Beatles como artista a ter mais de 30 músicas no top ten do chart principal, Billboard Hot 100.

A Rihanna construiu caridosamente um centro de última geração de oncologia e medicina nuclear para diagnosticar e tratar o cancro da mama no Hospital Queen Elizabeth em Bridgetown, Barbados

diretor da Harvard Foundation, S. Allen Counter
Rihanna recebe o prémio Humanitária do Ano pela Fundação  Harvard. (Photo by Keith Bedford/The Boston Globe via Getty Images)
Rihanna recebe o prémio Humanitária do Ano pela Fundação Harvard. (Photo by Keith Bedford/The Boston Globe via Getty Images)

Fora do campo da música, recebeu o prémio de Humanitária do Ano pela Fundação Harvard (minuto 37 do vídeo em baixo, com o discurso de aceitação de Rihanna a começar ao 1:14:00), também graças ao trabalho desenvolvido como embaixadora da Global Citizen e da Global Partnership for Education. Rihanna criou ainda a Fundação Clara Lionel para melhorar a saúde, educação, artes e cultura no mundo.

“Tudo o que precisas de fazer é ajudar uma pessoa, sem esperar nada em troca”, afirmou em discurso, acrescentando: “Para mim, isso é humanitarismo.”

Como se não bastasse, Rihanna ainda despertou a atenção de líderes mundiais para os problemas na educação. Literalmente. Numa noite, a cantora decidiu tweetar aos homens e mulheres do poder sobre o assunto, questionando se estavam a planear comprometer-se com o financiamento total da educação. Mais tarde, encontrou-se com o Presidente francês Emmanuel Macron para discutir o assunto. A jornada ativista manteve-se com a chamada de atenção para o caso de Cyntoia Brown.

Emmanuel Macron, presidente francês, com Rihanna na conferência
Emmanuel Macron, presidente francês, com Rihanna na conferência "GPE Financing Conference, an Investment in the Future" organizada pela Global Partnership for Education. (PHILIPPE WOJAZER/AFP/Getty Images)

Em 2018, cá estamos para ver mais da luta pela diversidade e inclusão em todas as frentes. Queremos continuar a ver pessoas de todas as raças, representação de géneros e identidades, habilidades, variedade de tamanhos e idades, por marcas como a Fenty Beauty que não pegam nestas diferenças para as apropriar e propagandear através da escolha do que elas pensam ser inclusivo.