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Quando as crianças mentem…

Castigar sem explicação ou apelidar de mentirosas não são bons princípios para conseguir que se acabem as mentiras.

Dizer que está um dragão debaixo da cama, fingir que já lavou os dentes ou alegar que já comeu a sopa toda quando claramente é mentira. São tudo coisas que as crianças, tipicamente, dizem com mais ou menos frequência durante a infância. O seu filho não é um caso único no mundo. Todas as crianças, tendencialmente, mentem. O importante é distinguir entre as mentiras que são apenas fantasia das que são usadas como afirmações mais graves. E, mais importante, aprender a lidar com elas de acordo com a idade.

Mentira leve ou mentira grave?

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que há diferentes níveis de mentira, que devem ser analisados de formas distintas. Até os adultos mentem, mesmo às crianças, com o único intuito de as proteger. Um exemplo flagrante: os bebés vêm nos bicos das cegonhas. É uma fantasia, a imaginação a trabalhar para proteger a imaturidade das crianças.

Mundo imaginário das crianças

Não é, por isso, de admirar que os mais pequenos vivam também um mundo fantasiado. O que fazem é retratar o mundo da forma que o veem ou como gostariam que ele fosse. Com bons e maus, princesas e dragões, animais que falam e criaturas nunca antes vistas.

Por volta dos 4/5 anos, tornam reais na mente as fantasias. Não sabem que estão a mentir. É importante que explique que aquela história pode não se ter passado exatamente da forma como contam, mas não deve ridicularizar ou chamar abertamente de mentirosa.

Com o crescimento, a tendência é para que comecem a distinguir melhor a realidade da fantasia. Se isto não acontecer, deve procurar ajuda de especialistas, para descartar algum problema de foro psicológico.

A mentira tem perna curta

É crucial que os pais tentem chamar os filhos à razão, quando estes entram numa idade em que a mentira já é dita deliberadamente, o que acontece aproximadamente a partir dos 6 anos. Explicar que é fácil apanhar uma mentira e que é pouco provável que a consigam levar até ao fim é um bom começo.

Deve também mostrar que a verdade é o caminho mais correto, mesmo quando as consequências possam ser menos boas. A noção do que é certo e errado deve ser ensinada deste cedo às crianças.

Olha para o que digo, não olhes para o que faço

Não é um bom princípio. As crianças observam e aprendem com o que os elementos de influência à sua volta fazem. Se os adultos mentem, sem consequências, para se livrar de situações mais ou menos incómodas – em coisas simples como dizer ao telefone que outra pessoa não está –, vão acabar por imitar o gesto, por acreditar que, em algumas circunstâncias, é normal e aceitável mentir. Tente dar bons exemplos, fale sempre a verdade e explique à criança as consequências da mentira que produziu.

O caminho mais fácil nunca é o melhor

Quando a criança usa a mentira para benefício próprio, para cumprir um objetivo ou obter algo que deseja, mostre que a mentira pode até levar à perda do mesmo. Explique que é com negociações e argumentos, e não com mentiras, que se conseguem as coisas, mesmo que demore mais tempo ou implique uma tarefa mais difícil.