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Chegou a altura de se libertar dos tabus. Aceite que todos os corpos são perfeitos e que cada pedaço é importante e único. Um corpo deve ser sempre celebrado. Nunca escondido.

O corpo é um templo. Quantas vezes já ouvimos esta frase? Quantas mulheres já a proferiram às amigas, em jeito de consolo, minutos antes de julgarem uma transeunte pela roupa, pelo peso ou pelo aspeto? A sociedade é rápida a julgar o corpo feminino, aquilo que considera como imperfeito.

Rápida a julgar o peso: primeiro a mais, depois a menos. A criticar o uso excessivo de edição de imagem, ao mesmo tempo que sentencia as revistas que não tapam borbulhas e não apagam os pelos. A julgar quem, depois de um parto, não recuperou a forma ou quem a manteve durante a gravidez… O meu corpo é um templo. O teu também. Sabias?

Moda, a bitola de um corpo perfeito?

Um corpo de top model foi sempre visto como sinónimo de perfeição. Dizer 86-60-86 não obriga a mais explicações. São as “medidas perfeitas”. No mundo da moda, a magreza, mais do que desejada, era invejada.

Noções como anorexia e bulimia entraram no quotidiano, pelas piores razões. Um dos casos mais mediáticos é o de Isabelle Caro. A modelo, anorética, ficou mundialmente famosa quando deu cara e corpo por uma campanha antianorexia. Acabou por não sobreviver e o mundo, finalmente, acordou da letargia em que o extremamente magro, a um ponto não saudável, era aplaudido.

Instalou-se o debate, a contestação e, pouco a pouco, a mudança. Procuram-se formas de combater a magreza extrema nas passerelles e nas campanhas publicitárias. Um combate que perdura até hoje. Em França, as modelos têm de apresentar um certificado médico a atestar o equilíbrio de massa corporal e saúde geral. Noutros países, estabeleceram-se limites mínimos de peso. Gigantes da moda, como Kering – detentora de casas como Gucci e Yves Saint Laurent – e LVMH – detentora da Christian Dior e Louis Vuitton –, decidiram não contratar modelos abaixo do Índice de Massa Corporal (IMC) recomendado.

Aos poucos, os desfiles começam a ser mais saudáveis. Nem assim menos bonitos.

Um sonho tornado pesadelo

Outro problema relacionado com o julgamento do corpo são os programas de edição de imagem. A utilização excessiva destes programas cria uma visão manipulada da realidade. São usados para reduzir ou aumentar determinada parte do corpo, para tornar as curvas das mulheres mais voluptuosas, para apagar cicatrizes, celulite, pelos, manchas ou rugas. Nos media, a edição de imagens é por vezes tão acentuada que as próprias protagonistas não se conseguem identificar. Kerry Washington admitiu não se reconhecer na capa da AdWeek. As mudanças foram tantas que, sem o nome associado, ninguém a reconheceria. Outras personalidades, como Kate Winslet, ditam a priori a proibição do uso de Photoshop, um statement no qual sobressai a honestidade e a valorização pessoal.

Ainda que as pessoas se mostrem veemente contra a alteração digital de imagens, as críticas a corpos honestos e reais também são o prato do dia. O exemplo mais fácil é o de Kim Kardashian. A celebridade recebe comentários frequentes sobre excesso de peso ou de gordura e uma chuva de críticas quando edita as imagens antes de as publicar. Em que ficamos, então?

Mudança de paradigma

A avalancha de críticas ao uso excessivo de edição de imagem e ao culto de um corpo demasiado magro acendeu o debate e, aparentemente, as mudanças vêm para ficar. Algumas marcas deixam progressivamente de editar fotografias dos catálogos, provando que a beleza também se faz de imperfeição.

Depois de um extremo em que até sinais e sardas eram apagadas – digitalmente ou com maquilhagem –, dá-se agora espaço para a diferença e, sobretudo, para a beleza. É o feminismo a brotar frutos, a deixar a inclusão entrar mesmo em áreas mais competitivas e anteriormente mais restritas.

Hoje há modelos plus size, com curvas e com estrias. Em 2015, fez-se história no programa America’s Next Top Model com Winnie Harlow a arrecadar o prémio. O inesperado? A modelo tem vitiligo, uma condição que mata prematuramente as células responsáveis pela pigmentação da pele.

O conceito de beleza já não é estático. Esta atitude ajuda a reduzir as expectativas irrealistas que mulheres de todo o mundo foram assumindo como determinantes. A afirmação de que um corpo bonito é um corpo real, um ideal que todas as mulheres conseguem alcançar.

Sorria e surpreenda

A real beleza feminina não está relacionada com a perfeição das redes sociais. Tem mais que ver com o emanar de uma elegância natural.

Aqui, as imperfeições representam um papel importante: conferem um charme único, um traço de personalidade inigualável. O que não quer dizer que não deva cuidar delas. Usar Bio Oil nas estrias, cicatrizes e marcas da idade é uma forma de cuidar da pele, para um aspeto saudável e natural. Se a celulite é desconfortável, Cellulase ajuda a combater essa imperfeição que afeta 90% das mulheres. Mas faça-o por si, pelo seu bem-estar e conforto.

Amar, sempre

A aceitação da diferença pode não ter mudanças imediatas nos preconceitos criados e perpetuados, durante décadas, sobre um corpo ideal e as medidas perfeitas. O exercício tem de partir de duas frentes: por dentro, com a aceitação do corpo como um todo, e por fora, com a educação para a aceitação.

É importante que não seja permitida uma cultura de julgamentos e de body shaming. Importa que se chame a atenção para as verbalizações de preconceitos e que não se compactue com estes comportamentos. Se ouvir alguém usar termos depreciativos, porque não explicar que o que não está correto é de facto a atitude dessa pessoa? Fazê-la ver que não deve criticar alguém pela diferença? A princípio pode parecer complicado mas, com o tempo, a atitude traz frutos.

Por último, a aceitação e o amor-próprio são ingredientes indispensáveis nesta receita. Olhe-se ao espelho e admire o reflexo. Não desista de um estilo de vida saudável, não perca o gosto de ser mulher, não deixe de cuidar de si. Pelo contrário. O importante é continuar a mimar-se, a cuidar do corpo, a sarar feridas sem as esconder. Toda e qualquer mulher deve orgulhar-se de quem é. Nunca se esqueça: o seu corpo também é um templo.