Conversas Íntimas
Lactacyd

Malala Yousafzai: mulher antes do tempo

Com apenas 12 anos, já sabia que batalhas queria travar. Hoje, é símbolo da luta pela igualdade no mundo.

O nome não é indiferente a ninguém, mas nem todos conhecem a sua história. Do ataque que sofreu aos 15 anos, ao Nobel da Paz e regresso ao país que a viu nascer, a história de Malala Yousafzai é a representação do que significa nunca desistir. O rosto de uma criança não à frente do seu tempo, mas à frente do seu lugar.

Num país de repressão, guerra e grandes disparidades entre homens e mulheres – onde o sexo feminino é tratado como inferior, subjugado e sob tutela masculina –, com apenas 15 anos elevou a voz e opinou sobre o direito à educação do sexo feminino. A história de Malala podia ser trágica, mas a sorte e a coragem fizeram dela, mais do que uma sobrevivente, um símbolo mundial da luta pela igualdade.

O dia que lhe mudou a vida

A história como ativista internacional começou a desenhar-se a 9 de outubro de 2012. Mas já antes Malala Yousafzai era reconhecida no Paquistão. Depois de os talibãs fecharem algumas escolas para raparigas, entre as quais a do pai, começou a fazer relatos para a BBC sobre a vida com os talibãs por perto, falando sem rodeios da importância da educação e de como esta não deveria ser retirada.

A posição frontal fez com que fosse atacada com um tiro na cabeça, que poderia ter sido fatal. Malala sobreviveu, a história correu mundo e, depois de várias operações no país de origem, mudou-se com o pai e os dois irmãos para Inglaterra, onde vive atualmente.

Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo

Malala Yousafzai, numa ensagem deixada nas Nações Unidas

É o lema de vida de Malala. Não deixou para trás a história, nem a vontade de continuar a lutar pela igualdade e educação das mulheres. Não só no Paquistão, mas em todo o mundo. A perseverança e a vontade de mudar o paradigma na educação foram crescendo. Hoje, os direitos feministas estão bem presentes no quotidiano. Malala Yousafzai continua a apelar à união internacional para que os direitos sejam efetivamente universais, e não apenas norma em algumas partes do mundo.

Conto a minha história não por ser única, mas por não o ser

na cerimónia de entrega do Prémio Nobel

Foi com este discurso que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2014, juntamente com Kailash Satyarthi, ativista indiano que luta pelos direitos das crianças. Tornou-se a mais jovem personalidade a receber o galardão e chamou a atenção mundial para a quantidade inestimável de crianças cuja educação é vedada e cuja vida é afetada pelos conflitos.

  • Com 17 anos, a paquistanesa venceu o Nobel da Paz, partilhado  com o indiano Kailash Satyarthi, que lutou durante 35 anos a favor da libertação do trabalho escravo virtual das crianças.
    Com 17 anos, a paquistanesa venceu o Nobel da Paz, partilhado com o indiano Kailash Satyarthi, que lutou durante 35 anos a favor da libertação do trabalho escravo virtual das crianças.
  • Malala Yousafzai na cerimónia de entrega do Prémio.
    Malala Yousafzai na cerimónia de entrega do Prémio.

Para que todos conheçam as questões significativas

Não é propriamente uma história de encantar, mas vale a pena ler e ouvir. A todos e para todos. Malala já lançou vários livros. Entre os quais Eu, Malala, um livro direcionado para adolescentes. Recentemente lançou O lápis mágico de Malala, no qual a história foi adaptada às crianças, para que comecem a consciencializar-se das questões relevantes internacionais desde cedo, de forma percetível. 

Só a educação é que pode combater o terrorismo, não as armas

Malala Yousafzai, entrevistada em direto no Facebook por Sheryl Sandberg, chefe de operações da rede social

O caminho percorrido, a garra e a força fazem de Malala uma ativista reconhecida internacionalmente por alguns dos grandes líderes mundiais. Num encontro com o então Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, sugeriu que não fossem enviadas armas e tanques para o Paquistão. Antes canetas e livros para serem utilizados em salas de aula.

Já em Inglaterra, quando privou com a Rainha, afirmou o desejo de um dia trabalharem juntas para que todas as crianças, quer no Reino Unido quer no Paquistão, pudessem ir à escola.

A tenacidade valeu-lhe a designação de Mensageira da Paz da ONU. Mais uma vez, a mais jovem a receber tal designação. Na cerimónia, que decorreu em 2017 em Nova Iorque, António Guterres afirmou-se inspirado pelo “compromisso inabalável” da jovem pelo direito à educação, especialmente feminina.

“A mais proeminente cidadã do Paquistão” esteve de regresso a casa

No final do mês passado, Malala concretizou um sonho. Regressou ao Paquistão, seis anos depois de ter saído de lá ferida. “O dia mais feliz.” Visitou a residência do primeiro-ministro paquistanês, Shahid Khagan Abbasi, que a descreveu como “a mais proeminente cidadã do Paquistão”. No encontro, Malala reiterou a importância de uma melhor educação e cuidados de saúde no país. Por seu lado, o primeiro-ministro garantiu que a jovem terá no país de origem o mesmo reconhecimento que tem no resto do mundo.