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Mãe, toma conta de ti

Um teste de gravidez positivo é a alegria e o sonho tornado realidade de muitas mulheres. É o momento em que a palavra “mãe” deixa de ser um entendimento por associação às progenitoras para ser vivido na primeira pessoa: EU vou ser mãe. EU sou mãe. Eu.

A família, os amigos, os colegas de trabalho e os transeuntes ficam encantados. Chamam-lhe “estado de graça”, “magia”, “experiência única”. E é. Mas, com a gravidez, o corpo também passa por grandes mudanças hormonais, físicas e, consequentemente, psicológicas. Há uma série de consequências menos felizes que daqui provêm.

Cada gravidez é única. Há quem sofra com problemas associados à mesma e há quem não passe por eles de todo. Se sentir alguma alteração, mesmo que a princípio a ache irrelevante, não se retraia por medo do que os outros vão achar ou dizer. Partilhe. Não é menos mãe ou pior mãe por isso. Fale com o médico ou psicólogo e aborde todas as questões, para que tenha possibilidade de viver as fases da gravidez e pós-parto de forma mais tranquila e segura.

Estas são as oito problemáticas mais comuns que decorrem da gravidez e do pós-parto.

1. Mudanças corporais

Alojar outro ser humano no corpo durante nove meses tem, impreterivelmente, consequências físicas quase imediatas. Se nos primeiros meses são as náuseas e os enjoos matinais a tomar conta das mulheres, com o tempo o corpo começa a adaptar-se, de forma a criar espaço e a preparar a mulher para o parto.

A barriga cresce, os seios aumentam e as ancas alargam. A pele estica, mas não sem deixar rasto (e falamos das famosas estrias e da celulite mais visível, cujo remédio está nos cremes e óleos adequados através do uso diário). Sente mais pressão na bexiga, o que faz com que tenha de ir à casa de banho com maior frequência. Está mais suscetível a proliferações bacterianas na zona íntima, sendo fundamental que use um gel de limpeza antisséptico, desenvolvido para prevenir e neutralizar maus odores.

Todas estas alterações são normais e, apesar de desconfortáveis, contornáveis. Não se sinta na obrigação de esconder o corpo durante a gravidez nem se sinta obrigada a recuperar a forma imediatamente após o parto. O corpo leva tempo a recuperar e todas as alterações físicas sofridas são válidas. Não há que as esconder e não deve ser tabu falar delas.

2. Sentir-se só, mesmo quando acompanhada

Não importa o apoio que tem da família, dos amigos, do par. Há sempre uma componente muito própria que só à mãe diz respeito, quer na gravidez quer no pós-parto. Muitas mães acabam por se sentir pressionadas a acatar todos os conselhos, todas as dicas que recebem, pondo a sensibilidade do outro à frente da sua e da do bebé.

Ouvir dicas é bom, mas tentar fazer uma triagem pode ser o mais saudável. Isto quer dizer que o melhor nem sempre é seguir todas as “mezinhas” caseiras das avós, todos os truques que outras mães juram a pés juntos que resultaram com elas.

Procure, tanto na gravidez como depois, descobrir os próprios truques, aquilo a que o seu corpo e o seu filho melhor reagem. Ninguém conhece melhor a sua gravidez do que a própria mãe que a vive na primeira pessoa. Também com o bebé vai acabar por decifrar os tipos de choro, as comidas que o impressionam mais, os horários mais adequados. É uma viagem e faz parte da mesma experienciá-la e vivê-la como um momento de aprendizagem. Tudo isto é perfeitamente normal e cada bebé é diferente.

Ainda assim, não se afaste de familiares e amigos. Quer esteja feliz ou triste, é sempre bom ter alguém com quem partilhá-lo.

3. Parto normal ou cesariana?

Não há uma resposta certa aqui, no geral. Cada caso é um caso, cada corpo é um corpo e, sobretudo, cada gravidez é uma gravidez. A medicina permite agora que o nascimento não tenha de ser feito obrigatoriamente através de parto normal. É um avanço da ciência que muitas vezes evita situações de risco tanto para a mãe como para o bebé, pelo que deve ser louvável e nunca condenável.

Mitos há que afirmam que mãe e filho não partilham um vínculo tão especial se o parto não for natural. Abstenha-se de ouvir estas teorias, que só confundem e a deixam mais insegura.

Escolher um parto normal ou cesariana são ambas opções válidas, desde que não comporte riscos nem para a mãe nem para o bebé. Tente fazer um exercício introspetivo e perceber aquilo que a deixa mais à vontade.

4. Depressão pós-parto

Os sintomas de depressão pós-parto devem ser levados muito a sério. Por vezes, estes não são tão óbvios para a própria mãe, que os confunde com o cansaço natural dos primeiros meses. Para quem está de fora, aconselhar a procura de ajuda, sem pressionar exageradamente nesse sentido, é essencial.

As alterações hormonais que o corpo sofre durante a gravidez e o parto, a somar a um maior desgaste físico e emocional com a chegada de um recém-nascido, podem levar a sintomas como cansaço permanente, privação do sono, apatia e distanciamento do bebé e recusa em amamentar.

Uma em cada nove mulheres sofre de depressão pós-parto. Não está sozinha. Se notar alguns dos sintomas acima mencionados, não tenha vergonha em pedir ajuda. Fale com o ginecologista, terapeuta, psicólogo, para que juntos encontrem a melhor forma de ultrapassar a depressão pós-parto. É uma reação natural do corpo, decorrente das alterações drásticas que este sofreu, e, claro, não significa que goste menos do seu filho do que deveria. Peça ajuda, sem medo. E trate de si. A saúde da mãe também é importante.

5. Privação do sono

Mesmo que o bebé seja o mais calmo, o mais dorminhoco, o mais sossegado da história dos bebés, todas as mães passam, pelo menos, uma noite sem dormir. Nem sempre porque o bebé teve uma noite complicada, mas pela ansiedade e pelo medo de adormecer.

É normal e transversal, mas é essencial que a privação do sono não seja uma constante: a mãe deve dormir quando o bebé está a dormir. Este precisa de total atenção quando acordado, por ser totalmente dependente de outros. É fundamental que alguém esteja alerta e desperto em todos esses momentos. E de certeza que não vai querer perdê-los.

Para que todos os sentidos estejam apurados nos períodos em que o bebé precisa de mais cuidados e atenção, é imperativo que descanse quando ele o faz, ao invés de ficar preocupada enquanto ele dorme.

Experimente beber uma infusão de chás antes de se deitar. Quando começar a conhecer a rotina do bebé, vai perceber a que horas costuma normalmente acordar. Coloque um alarme para uma hora próxima: assim, mesmo que o bebé não acorde, certificar-se-á de que está tudo bem.

6. Super em tudo

Supermãe, supermulher, superdoméstica, supertrabalhadora. Querer ser tudo e chegar a todo o lado é um erro comum na maternidade. Ser mãe, quer seja a primeira ou a quinta vez, é um trabalho exigente e que toma muito tempo. Também a gravidez é quase um trabalho por si só, porque o corpo não reage tão rapidamente, porque está mais cansada, porque tem horários mais definidos para comer, porque dorme mais horas.

Não tente ser tudo e fazer tudo. Mesmo que de baixa médica, não se sinta na obrigação de fazer todas as tarefas domésticas possíveis e imagináveis. Descanse, aproveite e desfrute da gravidez.

Amamentar é algo que ninguém pode fazer por si, mas mudar as fraldas, adormecer, trocar de roupa, dar banho, são tudo tarefas que outros familiares ou amigos podem fazer. Peça ajuda.

Assim, consegue tempo e espaço para poder cuidar de si. E ainda permite que outros se vinculem ao bebé, para que este sinta que também fazem parte da vida dele e para que os outros sejam ativos no desenvolvimento e na felicidade do mesmo.

7. Licenças de maternidade e licenças de paternidade

O tempo que uma mulher tira do emprego para se dedicar à maternidade é sempre assunto para grande debate. Em Portugal, a licença obrigatória para a mãe é de 6 semanas após o parto, e até 30 dias facultativos antes do nascimento. A estes dias, somam-se entre 120 a 150 dias que podem ser gozados por qualquer um dos progenitores.

Estar informada dos direitos e conversar, enquanto casal, sobre quanto tempo querem ou devem ficar de licença é o primeiro passo. Informe a entidade empregadora, faça um calendário, veja quais são as vantagens e as desvantagens de ficar em casa.

Não se deixe afetar por opiniões de mães a tempo inteiro ou trabalhadoras compulsivas. Escolha a sua posição, aquilo que funciona para si e para a sua dinâmica familiar.

8. Amamentar ou não amamentar

Mamas. Pode parecer estranho, mas esta palavra vai entrar muito na sua vida como mãe. Vai parecer tão banal como “brócolos” ou “carros”. Toda a gente vai ter uma opinião sobre aquilo que deve fazer com elas e ninguém se coibirá de as partilhar.

Mais uma vez, este é um tema muito próprio da mãe e, apesar de todas as opiniões serem bem-vindas, cabe-lhe fazer escolhas conscientes e adequadas.

Tanto amamentar pode ser a melhor opção para si e para o bebé, pela transmissão de nutrientes e anticorpos necessários ao recém-nascido, como também já há no mercado uma grande oferta de alternativas adaptadas a cada fase do desenvolvimento da criança.

Se amamentar é desconfortável e, em certos casos, mesmo doloroso, não force esta tarefa apenas por ser socialmente mais aceite do que o leite de substituição. Não se sinta também forçada a fazê-lo em frente a outros apenas porque “é natural” e “é só a alimentação do bebé”. Também não se coíba de o fazer em público, se assim o desejar. Tudo depende da forma como se sente melhor, menos desconfortável e pressionada. Afinal, a escolha é sempre sua.