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#dúvidas: tudo sobre a criopreservação de embriões

Já ouviu falar das alterações às leis da criopreservação, mas não percebeu do que se trata? Está nos seus planos recorrer a esta técnica, mas ainda tem dúvidas? Estas são as repostas às sete perguntas essenciais sobre o procedimento.

As informações que existem sobre as técnicas de procriação medicamente assistida nem sempre são claras. Se ainda não ouviu falar deste método alternativo ou ainda tem dúvidas sobre o mesmo, explicamos tudo o que precisa de saber sobre a criopreservação em sete perguntas.

1. O que é?

A criopreservação de embriões acontece, normalmente, após alguém se submeter a um ciclo de fertilização in vitro. Depois da fecundação, os embriões que não são implantados são guardados em palhetas, no interior de contentores de azoto líquido, e são conservados a 196o negativos. Estes embriões ficam guardados durante três anos, período no qual os beneficiários os podem utilizar. Nem todas as fertilizações in vitro têm excedentes, pelo que nem sempre há criopreservação por parte de quem se submete a estes tratamentos.

2. Qual é o processo?

O processo de criopreservação advém, como já referimos, da fertilização in vitro. Quando se inicia este processo de procriação medicamente assistida, há uma fase inicial de estimulação hormonal, a que se segue uma punção folicular para recolha de ovócitos. De seguida, faz-se uma inseminação por fertilização in vitro ou por microinjeção de espermatozoides. Depois disso, implantam-se os embriões na mulher, e guardam-se os possíveis excedentes.

No final de 2016, quase 21 mil embriões estavam criopreservados como resultado dos tratamentos contra a infertilidade tendo, nesse ano, 44 sido doados a outros casais, de acordo com o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA)

3. Porquê criopreservar embriões?

A maioria dos embriões criopreservados advém de casais que, não conseguindo engravidar por métodos naturais, recorrem à ciência. A evolução da procriação medicamente assistida permite agora que se possam guardar embriões. Casais que veem o primeiro ciclo de fertilização in vitro falhar, ou caso queiram engravidar outra vez, podem utilizar embriões já fecundados, acelerando todo o processo.

Mas nem sempre é a urgência da parentalidade a levar à criopreservação. Tratamentos oncológicos podem enfraquecer o sistema reprodutivo. Muitas mulheres são aconselhadas a fazer uma recolha de óvulos antes de os iniciar. A ciência mostra que óvulos fecundados têm uma hipótese substancialmente maior de sobreviver a todo o processo, pelo que também nestes casos se utiliza a criopreservação.

Fertilização in vitro
Fertilização in vitro

4. Porque preservam óvulos as mulheres que ainda não querem ser mães?

O pico da fertilidade feminina verifica-se aos 25 anos. A partir daí, as hipóteses de gravidez começam a cair constantemente. A qualidade dos óvulos diminui drasticamente a partir dos 38 anos.

Com a evolução do papel da mulher na sociedade – que, normalmente, estuda até mais tarde, começa a trabalhar mais tarde, casa mais tarde e planeia criar uma família mais tarde – verifica-se um aumento da utilização da criopreservação de gâmetas. A opção mais segura é preservar óvulos para que a hipótese da maternidade não seja comprometida posteriormente.

Os óvulos criopreservados mantêm a qualidade do momento em que foram extraídos. Quanto mais cedo o fizer, mais hipóteses tem de conseguir uma gravidez de sucesso, quando a mulher o desejar. Ainda assim, a criopreservação não é uma garantia de gravidez.

Em Portugal, é possível adotar embriões

5. Quanto custa?

Os preços da criopreservação estão normalmente englobados no preço da fertilização in vitro. Não há um valor fixo para estes tratamentos, mas, em Portugal, um ciclo pode custar à volta de 5000 euros. Depois dos três anos iniciais, para prolongar a criopreservação, o custo médio ronda os 500 euros, a cada ano.

6. O que acontece aos embriões criopreservados?

Os ciclos de fertilização garantem a criopreservação de embriões durante três anos. A nova legislação portuguesa veio regulamentar o que pode acontecer a estes embriões. Após o período inicial de três anos, os beneficiários dos embriões podem pedir para que sejam criopreservados durante mais três. Ao longo desse período, podem decidir fazer uso deles, doá-los a casais inférteis ou à ciência. Findo o período total de seis anos, cabe ao centro descongelá-los e eliminá-los.

7. Porquê doar embriões?

Muitos casais que recorrem à procriação medicamente assistida sofrem de problemas de fertilidade e podem nem conseguir recolher gâmetas (óvulos e espermatozoides). Para aqueles que consideram a gestação importante no processo de parentalidade, embriões fecundados são uma esperança e a única hipótese de gerarem um filho. A doação é sempre anónima e não há nenhuma compensação monetária para o casal doador. O casal recetor paga os custos dos procedimentos.